sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

ORAÇÃO DA PROPINA


Nem precisa comentar

"Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra. Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PEQUENO DEVER DE CASA



Perguntei se ela havia gozado. Ela tergiversou. Palavrinha obscura, mas por estranho que pareça não me ocorreu nenhuma outra mais apropriada naquele momento na cama. Virei para o lado exausto e satisfeito e nem mesmo a paroxetina ou o clonazepam que tomo todos os dias me proporcionaram igual sensação de bem estar. O sexo bom tem lá sua incompreensível e maravilhosa química. Ela, blasé, me deu a nota seis e meio e logo depois compassiva ou mais sincera aumentou para sete. Eu disse que havia sido muito bom e lhe dei oito e meio para nove.Ela não me pareceu surpresa ou até mesmo contente. Vestiu-se calada e disse que precisava ir. Pedi para continuar despida na cama e ela sem muito relutar, topou. Examinei rapidamente, todavia de maneira detalhada suas formas simétricas e rijas como quem acaba de receber um mapa de uma terra desconhecida. Brinquei e disse que para quem não havia gozado a cama estava bastante molhada. Ela revidou sorrindo e falou que de fato eu não deveria ter transado já há algum tempo pela quantidade de sêmen estocado na camisinha. Permanecemos nus e ela finalmente me abraçou e confessou coisas íntimas, como que havia transado recentemente com seu ex. Obviamente não caí no erro de perguntar se foi melhor com ele que comigo. Ela pediu chocolate enquanto eu tomava a terceira cerveja e enquanto ela brincava como uma criança levada com as luzes do motel eu lembrava Nabokov.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

DA ELEIÇÃO DA OAB/PA E OS MANGÁS DE MINHA INFÂNCIA


Dedicado aos candidatos e aos pseudo-candidatos à presidência da OAB-Pa e às suas discussões hilárias travadas pela internet.





É de causar estranheza aos nossos olhos presenciar o embate feroz dos leões se digladiando. Feras tão majestosas, de naturezas tão inexpugnáveis, quase quiméricas, despindo-se de sua potestade, despojando-se de toda nobreza de seus títulos nobiliárquicos e de seus postos de monarcas, para descer fragilizados à arena, tais quais reles e vulgares chacais em seus covis disputando um parco pedaço de putrefata carcaça. Enquanto entrelaçados em suas refregas sanguinárias e cruentas parecem, à nossa vista, tão vulneráveis que imaginamos que se atirássemos uma pequena pedra faríamos soçobrar todo seu castelo de reis da floresta. Mas não se enganem os leões com suas empáfias tradicionais travam batalhas tão-só uns contra os outros, com os da sua estirpe e diferentemente da fábula bíblica devoram Davis roendo-os até os ossinhos.


Mais interessante é a briga entre piratas e mercenários. Ébrios e fanfarrões batem armas entre si pelos motivos mais tolos possíveis apenas para provarem suas habilidades de espadachins ou para aplacar o tédio dos dias monótonos sem batalhas. Entre pilhérias e manobras acrobáticas de seus floretes acusam-se de trapaças; de cartas marcadas; de furtos de um olho de vidro ou de dobrões de ouro. Quando a lassidão lhes chega, alquebrados, sucumbem e tornam a se abraçar fraternalmente entornando goela abaixo mais um barril de rum, e entre um gole e outro, brindam rememorando as aventuras passadas em outras fragatas, os tesouros repartidos e seguem planejando suas próximas pilhagens.


O que dizer então das hilárias discussões dos congressistas e dos membros da cúpula do Judiciário? Estas eu não perco por nada deste mundo. A imperiosa necessidade de conjugar o que é incompatível, ou seja- os impropérios às honrarias designadas às funções que ocupam- é tão absurda que as frases se tornam risíveis, burlescas. Daí surgem pérolas como, “V.Exa é um ladrão, um babaca”, ou ainda: “ V.Exa me respeite, não sou um de seus capangas do Mato Grosso, o senhor destruiu o judiciário brasileiro...". É como se o “V.Exa” preservasse certa dignidade aos adjetivos abjetos que sucedem. Caso retirado o pomposo “Vossa Excelência”, acabariam, em última análise, por macular a própria função, ultrajando a si próprios, uma vez que os ofensores são de igual forma “Vossas Excelências”.


Mesmo os reis e os nobres não estão livres destes arroubos. Perdendo a fleuma, por vezes bradam “porque non te callas?”. Alguns Presidentes, ao seu turno, preferem algo mais contundente como: “vayanse al carajo yankkes de mierda”, esquecendo-se do lema, “hay que endurecer pero sin perder la ternura”que lhes guiava nos tempos de la revolucion.


Não tão diferente das feras, corsários, políticos e nobres é a luta das alianças, ou seja, as famosas brigas de casais. No meio de maridos desesperados flagrados com mulheres espúrias – que até então acreditávamos se tratar apenas de suas secretárias e estagiárias – e esposas enciumadas, neuróticas e a beira de um ataque de nervos, não sabemos para onde correr, que direção tomar? Convidar a quem para aquela festa de inauguração de seu AP? Em quem acreditar? Que partido tomar, o da esposa supostamente traída ou do marido e de sua nova aliança? Sei não, se fugimos de Caríbdis caímos em Cila. Se estiverem separados, amanhã quem sabe haja reconciliação; se estão juntos, quiçá permanecerão. O melhor mesmo parece ser seguir o velho ditado popular e não meter a colher.


Gosto mesmo é da porrada entre mulheres (desculpem o baixo calão, mas a palavra neste caso é insubstituível). Quanto mais barraqueiras e escandalosas, melhor. Sem pudores, achincalham-se, acusam-se de putas, vagabundas, mentirosas, falsas, traíras, e de loiras oxigenadas. No calor do momento, vingativas, entre um puxar e outro de cabelos, em nome de suas vindictas, expõem seus conchavos e suas vidas pessoais aos quatro cantos e em alto e bom som, para quem quiser ouvir. Que aquelazinha, antes de sua ajuda, chafurdava na lama com Cicrano; que a outra sempre fora vista em hotéis de alta rotatividade na companhia de Beltrano, e por ai vai. Passada a peleja, têm vergonha de sair às ruas.


Brigas e embates à parte, tenho saudades mesmo é dos combates travados pelos Samurais, personagens dos mangás que acompanharam minha infância. Nos quadrinhos daquelas páginas amarelecidas lidas de trás para frente, esses bravos e briosos heróis e vilões erguiam suas katanas afiadas apenas para defender com hombridade sua casta, a honra de seus ancestrais e as reivindicações de sua classe. Seus rígidos códigos de honra não permitiam humilhações a seus rivais de armas. Quando desonravam seus ideais, cravavam profundamente o tanto em seus estômagos até que atingisse as entranhas. Eleição da OAB/PA ai, às portas, seria prudente deixarmos de lado as feras, corsários, barraqueiras e etc., e nos mirarmos no exemplo destes nobres paladinos orientais dos mangás. Por falar em mangás, ainda me restaram alguns guardados em uma empoeirada caixa de tralhas velhas. Meus caros senhores candidatos (e crítico de candidatos), querendo: empresto.Arghhhh

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ÚLTIMAS IMPRECAÇÕES DE UM ARIANO PUTO DA VIDA

, Alguem por favor me emprestaria um litro de álcool Tubarão e um fósforo?

Não pense reconhecer em minhas palavras qualquer traço daquele sentimento vulgar que inspira àqueles que desdenham o que não lhes pertence mais. E se te desejo que naufragues no marasmo de uma vida sem sentido e cercada de frustrações é apenas porque isto me parece o rumo natural das coisas.

Não julgues também confundir este meu desejo secreto com a obviedade das lágrimas piegas que choram os desconsolados pelo amor não correspondido. E se ainda dou-me ao trabalho de rogar estas últimas imprecações extemporâneas é tão-só porque minha pena segue ferina e afiada e minha voz, há muito abafada na garganta, não vê a hora de sair, ganhar o mundo e tão-somente por isso elegi você como tema.

Tampouco confunda minha pequena mágoa com vil despeito, orgulho ferido, ou com aquilo que Lupicínio muito bem batizou de dor-de-cotovelo. Meu cotovelo anda muito bem, obrigado. E se quando escuto “quem te viu, quem te vê” me vem o desejo de que vagues eternamente no vazio angustiante de cama em cama, como Íxion girando em sua roda, sem nunca poder dizer "eu te amo" sem que teu parceiro não perceba a falsidade de tuas palavras; ou que teu fígado seja devorado milhões de vezes pelos abutres, tal qual Prometeu ( que como tal ao nascer de cada dia tuas esperanças renasçam e sejam devoradas antes mesmo do pôr-do-sol) decorre apenas do fato de que talvez eu tenha algum ascendente em escorpião, sei lá, ou simplesmente me recuse a aplaudir os anos de teatro barato que me ofereceste. Nada mais que isto..

Por favor, não me venha dizer que esta recusa em aceitar com resignação estóica teus disparates seja devido ao fato de ainda lhe guardar qualquer resquício de amor ou por pensar em alguma tola e esperançosa reconciliação. Madame, amor e ódio só caminham juntos nos estúpidos folhetins de banca de revista ou em novelas mexicanas. Meu desejo de que te afogues em suco de graviola e que ganhe mais pelo menos 5Kg entupida de chocolate, de outra forma nada tem a ver com ódio é apenas uma espinha engasgada.]

De mais a mais, como poderia odiar-te pelo simples fato de haver me descartado como laranja chupada tão logo que encontrou quem provia teu prato com comida mais farta, isto até me polpa alguns tostões? Como poderia querer teu mal se todas as vezes que estavas exposta ao relento de uma sarjeta fétida eu te dei abrigo? Se nas vezes em que te atiravam pedras como a adúltera bíblica eu te servi de escudo? Creia-me, é apenas por gostar de comédias do tipo pastelão que rio a mais não poder quando vejo que tua máscara cai em pleno palco e que teu personagem patético de menina pobre do interior; de viúva zelosa e pudica; de Madalena arrependida, não convence nem mais as moscas.

Tenho para mim que é por gostar de filmes trash de terror, daqueles que o sangue parece espirrar nas telas e que voam membros decepados para todos os lados, que tenho um prazer quase mórbido quando me vem em mente que sabes que teu lívido pescocinho repousa debaixo de uma afiada guilhotina que balança feito pêndulo e cuja corda ameaça a todo momento partir-se bastando para tanto uma leve lufada de vento ou uma brisa qualquer.Ah! maravilhosa espada de Dâmocles. E tudo isto sem que sequer minhas mão se sujem desatando o nó( como havia te prometido). Mas, que fique novamente claro, também nisto não há traço algum de ódio.

Tanto é assim, que desnecessárias estas imprecações, agora que as leio acho tão inúteis quanto supérfluas. Bastaria cantarolar a canção que Cartola fez para filha, cujos versos encerram tudo o que aqui nem precisaria ser dito. “de cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares estas à beira do abismo, abismo que cavaste com teus pés”. E passe mal, mas sem ressentimentos ta?!!

terça-feira, 28 de julho de 2009

COM OS OLHOS BEM "CERRADO"

Imagens do cerrado maranhense no Município de Carolina. Fotos: Eduardo Cunha

caminho para cachoeira da Pedra Caída

Cachoeira de São Romão

Cachoeira da Prata

Pau-de-arara do Sr. Raimundo


Caminho para as cachoeiras de São Romão e Prata

Singrei mares desconhecidos tingidos de amarelo ocre ladeados por enormes monumentos e templos de pedra insculpidos pelos séculos

Onde a Siriema cruza a estrada impávida com a serpente envolta ao bico e as árvores se curvam reverenciando o sol cáustico; Onde a paz solitária e atordoante do vazio profuso nos mostra quem somos.


Cortando vales lanhado por galhos de gravatás e umbus, como um retirante, percorri léguas de trilhas e chapadões no lombo de um pau-de-arara e de seu ritmo alucinante;


Que lugar mágico onde as águas cristalinas das cachoeiras escorrem escondendo as grotas ;


Que lugar idílico fora do tempo que nos faz sentir vivos.


Quis reler on the roade e comprar um jipe amarelo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

ENTRE A LOUCURA E A LUCIDEZ ENTRE A VERDADE E O ROCK INGLÊS


"A maior loucura de uma homem nesta vida é deixar-se morrer" - CERVANTES



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Neste último fim-de-semana resolvi ficar em casa e não viajar. Loquei uns filmes.......Minto, comprei um punhado de DVDs piratas para assistir. Entre vários que vi um em especial me chamou bastante atenção. Talvez nem tanto propriamente pelo filme, cuja trama achei um pouco monótona ( trata-se de uma opinião pessoal, não pretendo ser crítico da 7º arte), mas pelo tema angustiante que abordava. Se chamava “Foi apenas um sonho”, baseado no romance de Richard Yates,com Leonardo DiCáprio e Kate Winslet e dirigido pelo ganhador do Oscar. O filme narra a história de uma casal pouco convencional da década de 50, que, percebendo que caíram em uma vida vazia e sem sentido, em uma rasgo de loucura ou lucidez resolvem abandonar emprego e a estabilidade que representam o sonho americano e perseguir os desejos de quando jovens, ir morar em Paris e dedicarem-se cada qual ao que realmente lhes dava satisfação pessoal. As coisas acabam tomando outro rumo e eles, frustrados, se rendem ao que todos julgavam a decisão sensata, ou seja, o retorno à antiga vida vulgar e convencional. O curioso no filme é que a única pessoa que parece lhes apoiar em sua jornada inusitada é um louco (talvez o mais lúcido).



Este mesmo assunto só havia mexido comigo tão intensamente quando li “O clube da luta”, Chuck Palahniuk, em 2006, também adaptado ao cinema. No livro o personagem louco anarco-terrorista aborda aleatoriamente qualquer transeunte com um fuzil. Questiona sobre o trabalho que exerce e de qual gostaria realmente de exercer. Em seguida lhe toma os documentos e ameaça que retornará em 6 meses para matá-lo caso não o encontre como uma bailarina, um escritor, um astronauta, um palhaço, etc.



A questão dos dois livros ou filmes é a seguinte: quem verdadeiramente é o louco e quem é o são? Quem é sensato e quem é o imaturo? Resolvi perder algum tempo estudando a patologia para ver onde me encaixo.



O LOUCO:



O LOUCO MANSO- Loucura para um senso comum é o estado da pessoa que não consegue de maneira nenhum conviver e respeitar as regras sociais. O que se convencionou tabular como mandamentos do homem são. Louco manso é aquele que mesmo recalcitrante às convenções, não usa de qualquer artifício para atacá-las. É o estudante do último ano de Direito que resolveu largar a faculdade e vender pulseirinhas em Algodoal.



O LOUCO FURIOSO- Loucura furiosa é o estado da pessoa que de tanto lhe dizerem o que deveria seguir e de como deveria ser, enchendo-lhe com frases clichês do tipo “você deveria seguir o exemplo do seu primo, ele é alguém na vida”, tornou-se revoltado. Louco furioso é o anarco-terrorista do “clube da luta”, é o Coringa do filme Batman: o cavaleiro das trevas, que ateia fogo nos milhões roubados. Se não torrasse a bufunfa seria ladrão, mas completamente lúcido.



O LOUCO PETER PAN- Comumente confundido com a primeira das categorias de loucos, mas dela se distuingue pelo fato de todos o acusam de imaturidade. Recusa-se a crescer. Sabe que “crescer” significa tornar-se igual a todos, ou seja, são. Esta categoria vive em conflito entre viver sua vida e assumir as responsabilidades de um homem maduro. Esses são severamente bombardeados pela critica feminina.



O LOUCO DE ÚLTIMA HORA Muito comum nos dias de hoje é o louco de última hora. O louco deste gênero é o sexagenário que percebe que já não lhe resta lá muitos anos de vida e resolve assumir sua patologia. Enquanto a doença se resume ao (a) coroa freqüentar a academia não há problemas. “papai(mamãe) só está cuidando da saúde”. Depois que o(a) velho manda às favas um casamento frustrado que tolerava há mais de 30 anos e resolve torrar o vil cobre que conquistou à duras penas com o suor do ser rosto e “despirocar”, curtir a vida, ai o bicho pega. Acusam-lhe logo de senilidade.



O LOUCO EXCÊNTRICO- O louco excêntrico é aquele que percebe que louco são os outros e não ele, mas não tem “culhão”(desculpem o baixo calão) suficiente para assumir de vez e viver sua vida. Por isso apenas uma vez ou outra faz um ato de loucura (excentricidade para os outros) e retorna à sua vida normal como um cão com o rabo entre as pernas. Normalmente é o caso dos artistas.



O LOUCO DEPRESSIVO- Aquele que percebe a fatuidade e absurdo da vida e do mundo, mas se perde em questões existências e não encontra outra solução a não ser somatizar todos estes problemas. Talvez seja o caso da maioria dos que sofrem do mal do século, como o louco do filme “foi apenas um sonho”



O LOUCO MÁRTIR- É um louco como qualquer um desses que faz um enorme ato de loucura e, posteriormente, algum grupo religioso ou político atribui ao seu ato significado que possam tirar vantagem. Ex: Lady Godiva andando nua pela cidade montada em um cavalo branco. Depois criaram histórias sobre ela que supostamente o fato de andar nua de pelo montado em um cavalo branco seria um nobre ato de protesto contra os duros impostos e a intolerância que seu marido afligia aos necessitados.



O LOUCO DO ARMÁRIO- Aquele que vive disfarçado entre os sãos, mas “louco” pra ver um outro doido ao seu lado tomar coragem para lhe seguir os passos.



O LOUCO VISIONÁRIO- o louco visionário é qualquer desses tantos já narrados que de alguma forma conseguiu um bruto sucesso com a sua loucura Se dão sorte e o descobrem enquanto vivos se torna tão logo um grande cidadão respeitado perante a sociedade, um visionário. Ex: . Se passam a vida toda como loucos e após décadas de morto lhe dão valor, se tornam gênio . Ex: Kafka





O SÃO- Qualquer um que não pertença de nenhuma forma a pelo menos uma dessas categorias, que frustrado por medo ou convenção não faz o que quer.



Faço minhas as palavras de Raul (outro louco) “ eu vou fazer o que eu gosto”





“Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor



Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz (BALADA DE UM LOUCO-RITA LEE E ARNALDO BATISTA)



domingo, 19 de julho de 2009

LOW PROFILE: NEM PENSAR



Se sou Anti-Herói, sou apenas por desencanto. Também já fui lírico apaixonado, humanista convicto, idealista convincente.

Cínico e cretino,vou confessar, isto sou desde que me entendi por gente.

Anarquista talvez por deformação política ou porque me agrade o cheiro da desobediência;da insubordinação fortuita; do gosto de sangue na boca.

Tenho um geniozinho peculiar: como diria Chico, ajo duas vezes antes de pensar ao mesmo que falo muito e faço pouco, contraditório, inconsistente, mais um ariano cabeça oca.

Como amante, mediano,por vezes egoísta e afoito, porém afetuoso,esforçado.Trago comigo um pouco do gosto de toda mulher que amei. Mesmo sendo fumante compulsivo não lembro haver deixado nenhuma na mão por........digamos "displicência".

Artista, apenas por muita presunção ou insistência, instrução nunca tive, aulas nunca tomei, talento não me veio de berço.

Ébrio é por contumácia, pândego de carteirinha. Boêmio certamente é pela vadiagem ter apreço.

Libertino e imoral, não saberia dizer, veleidade ou descrença, lascivo vem logo como conseqüência.

Mentiroso é só mesmo por necessidade ou pela profissão exigir-me isto em abundância.Cafajeste e canalha, como bom mentiroso, digo que é por força da circunstância.

Niilista por convicção, porém engajado ; sarcástico, mas um espirituoso inveterado; por vezes sensato,por vezes celerado.

Temperamental e prepotente, sou rude copiosamente.

Minhas rimas são pobres, minhas frases são clichês,

Aspirante a escritor, não tenho dúvidas, por comiseração e paciência alheia, apenas e tão-somente.